08/02/2011

As correlações entre os tempos e os modos verbais e as provas da FCC.

Olá, amigos do concurso... Como estamos??!!

Tenho recebido nos últimos dias uma enxurrada de e.mails e perguntas em sala de aula sobre as questões que envolvem “correlações de tempos e modos verbais”. É uma questão que frequentemente povoa as provas da Fundação Carlos Chagas, e os alunos – muitos – não sabem como resolvê-las. Como estamos vivenciando vários certames que vão ser preparados pela FCC (o concurso do TRF da 1ª região é um deles), vale a pena pensar um pouco no conteúdo abaixo.

Primeiramente, digo-lhes que o objetivo da questão é sondar o conhecimento sobre as corretas relações entre os verbos de um período composto. Traduzindo: em um período composto por várias orações, o examinador quer saber se você sabe harmonizá-los entre si.

Qual é o problema? É a quantidade exorbitante de relações possíveis entre os verbos.

Pense, por exemplo, em um período que se inicia pela seguinte construção: “Eu disse que ele...”. Dependendo do contexto linguístico, poderemos usar, por exemplo, o verbo “estar”, correlacionando-o com o verbo “dizer”, nos seguintes tempos:

  • Eu disse que ele ESTÁ...
  • Eu disse que ele ESTAVA...
  • Eu disse que ele ESTARIA...
  • Eu disse que ele ESTIVERA...

Já pensou?? E olhe que eu estou só fazendo uma “brincadeirinha” com o verbo “dizer” empregado no “pretérito perfeito do indicativo”. E todos os demais tempos verbais, hein?? De fato, entendo a dificuldade dos alunos.

Percebo também que os alunos os quais mantêm o hábito da boa e constante leitura apresentam maior facilidade na resolução de ditas questões. Vale a pena, mais uma vez, ler bons escritores. Insisto nesta idéia!

Recebi um e.mail que, literalmente, pedia socorro. Um aluno não entendeu uma questão da prova para o cargo de analista judiciário do TRE/PB. Vamos a ela...

Analista judiciário (cargo A01, tipo 001) do TRE/PB. Transcrevo inicialmente a questão abaixo para em seguida analisá-la (tentarei ser o mais objetivo possível):

5. Na frase Dizia que era uma deformação do espírito ficar lendo um livro em casa (...) quando a natureza está
fora, fresca e radiante, haverá correlação entre os tempos e modos verbais caso as formas sublinhadas sejam substituídas, respectivamente, por

(A) será - ficasse lendo - estiver
(B) seria - estar a ler - estivesse
(C) será - ler - estivera
(D) seria - ler-se - esteja
(E) seria - estivesse lendo - estará

            Rodrigo, essa questão não possui resposta!!! Rodrigo, que “doideira” é essa?? Que “troço” estranho é esse??             Vamos, pois, avaliar a questão detidamente e ver se esse “negócio” tá muito doido mesmo.

Em primeiro lugar, o candidato deveria perceber que a estrutura se encontra em ordem inversa. Ordenar a estrutura, portanto, facilitaria o entendimento. Observe:

à Ficar lendo um livro em casa era uma deformação do espírito quando a natureza está lá fora, fresca e radiante.

            Em segundo lugar, o candidato, bem preparado, perceberia que a ação expressa pelo conjunto verbal “FICAR + LENDO” indica um aspecto durativo da ação pela presença do gerúndio e que a existência do auxiliar “FICAR” no infinitivo denuncia um tempo neutro, uma vez que o infinitivo se presta, na maioria das vezes, a indicar uma ação aberta, não circunscrita no tempo. Logo, temos um processo durativo não situado no tempo, equivalente, por exemplo, a:

                à Ficar vendo televisão é uma absurdo para ele, enquanto a vida corre lá fora.

                à Ficar vendo televisão era uma absurdo para ele, enquanto a vida corria lá fora.

                à Ficar vendo televisão sempre será uma absurdo para ele, enquanto a vida correr lá fora.

Perceba, mais uma vez, que a ação expressa pelo infinitivo não se refere a um tempo específico (presente, passado ou futuro) e que, qualquer que seja o tempo verbal o qual se queira usar, o infinitivo permanece inalterado, porquanto se refere a uma ação aberta, não localizada no tempo e sem se referir também a um sujeito. Por isso, a presença do infinitivo na construção é indispensável, qualquer que seja a alteração que se proponha para o verbo da concordância , repita-se. A partir dessa informação inicial, já dava para perceber que apenas a alternativa da letra “b” poderia ser a resposta para a questão, pois é a única que consegue manter o infinitivo e o aspecto durativo da ação através da construção “ESTAR A LER”.

Convém lembrar que o conjunto “FICAR + LENDO” (infinitivo + gerúndio) é construção típica da Língua Portuguesa do Brasil, já que, em Portugal, usa-se frequentemente o infinitivo do verbo precedido, geralmente, da preposição “a” quando se deseja indicar um processo em andamento (verbo auxiliar no infinitivo + preposição “a” + verbo principal no infinitivo). Observe:

à Quando cheguei, ele estava dormindo. (Construção típica do português do Brasil)

à Quando cheguei, ele estava a dormir. (Construção lusitana).

            Ambas as construções verbais acima estão absolutamente corretas, saliente-se. Logo, percebidas essas considerações, bastava ao candidato observar agora a correlação dos tempos e modos verbais dos dois outros verbos envolvidos na questão. Lembremos um pouco algumas correlações verbais exigidas pela gramática normativa e pela lógica modo-temporal:

1.       Presente do indicativo à Presente do subjuntivo (e vice-versa)

Ex.: É fundamental que ele venha amanhã.

2.       Pretérito perfeito do indicativo à Pretérito imperfeito do indicativo

Ex.: Quando passei no concurso, eu estudava demais.

3. Pretérito perfeito do indicativo à Pretérito imperfeito do subjuntivo

            Ex.: Falei alto para que se evitasse o pior.

4.       Futuro do presente do indicativo à Futuro do subjuntivo

Ex.: Levarei o remédio para ele quando meu marido chegar.

            5. Futuro do pretérito do indicativo à Pretérito imperfeito do subjuntivo

            Ex.: Seria mais amiga dele se ele falasse menos.

            Com essa última informação, o candidato certamente “bateria o martelo” e perceberia que tão-somente a letra “b” estava devidamente correlata quanto ao emprego do tempo e do modo verbal.

à Ficar lendo um livro em casa era uma deformação do espírito quando a natureza está lá fora, fresca e radiante.

à Estar a ler (1) um livro em casa seria (2) uma deformação do espírito quando a natureza estivesse (3) lá fora, fresca e radiante.

1. Manutenção do aspecto durativo da ação com a construção lusitana “Estar a ler” equivalente à locução “Ficar lendo”.

           

2. Futuro do pretérito do indicativo “seria”

                               Correlaciona-se com

3.  Pretérito imperfeito do subjuntivo “estivesse”.

A dúvida maior dos candidatos, parece-me, foi quanto ao emprego da conjunção subordinativa temporal “quando”, pois ela provoca uma certa cacofonia. Entretanto, embora não seja freqüente, não é erro empregar-se o conectivo “quando” encabeçando uma estrutura com verbo no imperfeito do subjuntivo. Observe algumas construções:

à Quando chegasse o dia, ele certamente ficaria muito envergonhado.

à Não saberia expressar-se com clareza quando tivesse de dizer alguma coisa.

            Logo, meus caros amigos concursandos e concurseiros, a questão, de fato, possui resposta e ela se encontra justamente na letra “B”.

            Dúvidas???!!!!!????? Vixe!!!!! Pode mandar quantos e.mails quiser!!!!

            rbs2010@uol.com.br

            Tchau. Até a próxima.

            Prof. Rodrigo Bezerra

            Soli Deo Gloria!!!!

3 comentários:

  1. Esse assunto é primo de Raciocínio Lógico!

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  2. prof. qual a correlação verbal inserida na pergunta?? a da resposta eu entendi...

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  3. EU TENHO A SUA GRAMÁTICA, ACHO QUE VOCÊ É O PROFESSOR MAIS BEM PREPARADO PARA CONCURSOS, POIS NINGUÉM SE ARRISCA EM FALAR SOBRE CORRELAÇÃO E VOCÊ O FAZ COM MAESTRIA.
    O MEU PROFESSOR JOSUÉ ALVES, DE BRASÍLIA, SEMPRE INDICA A SUA GRAMÁTICA PARA TODOS, COM A RESSALVA: É O MELHOR CONTEÚDO PREPARATÓRIO PARA QUALQUER PROVA DE QUALQUER BANCA EXAMINADORA. OBRIGADA PELA ATENÇÃO, ACOMPANHAREI AQUI OS SEUS ARTIGOS.

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